terça-feira, 15 de março de 2011

Dragon Age II x Dragon Age: Origins

Foi-se o tempo do RPG à moda antiga? Essa foi uma pergunta feita por muitos fãs da série e da Bioware, vendedora dos maiores títulos de RPG eletrônico. Após o grande sucesso do jogo anterior da série, Dragon Age: Origins, para atrair mais público, fazer mais sucesso ainda e, enfim, lucrar em cima do nome que a série já ganhou entra a crítica e o público, o sucessor do melhor RPG de 2009 foi refeito praticamente do zero: os personagens, as lutas, a história, os protagonistas, os gráficos, o lugar e tempo onde se passa o jogo, etc.









Dados
Dragon Age II
Lançamento: 8 de março de 2011, nos EUA
Requisitos
Processador: Intel Core 2 Quad 2.4 GHz, AMD Phenom II X3 Triple core 2.8 GHz ou superior
Memória:
2 GB (4 GB para usuários de Windows Vista e Windows 7)
Placa de vídeo:
ATI 3850 512 MB (Para rodar Direct X 11 - ATI 5850 ou melhor), NVIDIA 8800GTS 512 MB (Para rodar Direct X 11 - NVidia 460 ou melhor)
Espaço livre em disco:
7 GB, sem expansões e patches
Plataformas: Microsoft Windows, Playstation 3, Xbox 360, Mac OS X

Dragon Age: Origins trailer


Dragon Age II trailer


História
Dragon Age: Origins
Simples, porém épica. O herói da trama é um dos últimos cavaleiros de uma ordem que é a última esperança de um país inteiro impedir que um mal antigo volte a assolar o lugar e dominar o mundo. Como todo bom RPG, tem semelhanças com a história de Senhor dos Anéis e com a fórmula de RPG's antigos que fizeram sucesso.
A história é quase que inteira baseada nas escolhas que o jogador toma, e isso faz com que cada run-through seja único, pois há um grande número de decisões.
Dragon Age II
A história da sequência tem menos foco, não há uma grande trama por trás do que o protagonista faz, não há um grande objetivo a ser alcançado. Na maior parte do tempo, o objetivo das missões é sobreviver.
O jogo tenta compensar isso com os pontos críticos da história, que realmente são bons, mas são poucos. As escolhas que o jogador deve fazer também são mais difíceis, mas são mais escassas. Duas ou três decisões decidem o final do jogo.
Também são interessantes as reaparições de personagens do Origins, e referências ao que aconteceu na história daquele RPG.
No geral, a história é boa e interessante, mas não chega ao nível da trama do Origins.

Gráficos
Os gráficos de Origins eram aceitáveis; não eram excelentes e não se destacavam muito, mas quebravam o galho: os gráficos num RPG são muito menos importantes do que a história.
Na sequência, ao invés de tentar melhorar a engine, os produtores resolveram fazer um redesign gráfico do jogo inteiro, criar outra do zero e mudar quase tudo que vimos no primeiro jogo. Deu certo em alguns pontos, como os efeitos de luz, a face de alguns personagens realista, melhores animações, e opções gráficas mais avançadas, mas os produtores resolveram que só podem ser ativadas com uma placa que suporte Directx 11 (ou seja, só quem tiver um placa dessa e o próprio Directx 11, que só existe pra Windows 7, pode ativá-las).
Entretanto, na maior parte do jogo, vemos diferenças não muito significantes do jogo anterior e, em outros, diferenças grandes demais, até mesmo piores do que estavam antes.
A conclusão é de que, no geral, o gráfico melhorou, mas não tanto quanto poderia.

Jogabilidade
Neste quesito estão os melhores e o piores pontos de Dragon Age II.
  • As lutas melhoraram em velocidade, visual e duração.
  • O sistema de criação de runas e poções melhorou bastante.
  • O protagonista tem voz e personalidade, dependendo das suas escolhas prévias de falas.
  • O melhor quesito do jogo, a "árvore" de skills otimizada para não se terem tantos skills inúteis quanto o seu predecessor.
  • Os personagens tem personalidade e alguns até fortes opiniões políticas, fazendo com que as escolhas do protagonista façam eles ganharem sua amizade ou rivalidade.
  • Nas lutas, quando se derrota uma onda de inimigos, a nova simplesmente surge, do nada, atrás dos integrantes mais frágeis da party, como arqueiros ou magos, e mudam completamente a estratégia usada até então na batalha.
  • Não há um nível de interação com os outros personagens nem próximo do que havia em títulos anteriores da Bioware.
  • O pior quesito do jogo: há pouquíssimos mapas e locações disponíveis para a duração do jogo e isso faz com que muitas dessas locações sejam recicladas, ou seja, o jogador é obrigado a visitar praticamente a mesma caverna diversas vezes, com só inimigos diferentes e algumas passagens bloqueadas.
  • Outro ponto onde o RPG perdeu muito de sua customização: não é possível equipar os companheiros com armaduras, luvas, botas e capacetes pois eles já têm suas vestimentas fixas; a única coisa que é possível se trocar neles são os anéis, cintos e colares, o que já pré-define os personagens com habilidades pra situações específicas, sem possibilidade de escolha.
  • Cada classe tem dois atributos específicos que devem sempre aumentar quando o membro da party sobe de nível para uso de itens mais avançados, o que faz com que a escolha de atributos seja ilusória: ou o jogador, por exemplo, aumenta força no seu warrior ou vai usar leather armor pelo resto do jogo.
Replay
Dragon Age II tem menos quests que seu predecessor e muito menos opções de criação de personagem, por isso é provável que a maioria dos jogadores não joguem tanto esse como jogaram o primeiro, apesar de ainda se terem muitas decisões que valem a pena serem refeitas para a história se fazer diferente.

Música e efeitos sonoros
Grande parte da trilha sonora foi aproveitada da extensa lista do primeiro jogo e, do que realmente é original, são músicas curtas e escassas, claramente feitas às pressas, uma pena.
O mesmo vale para os efeitos sonoros: não variam e acabam se tornando repetitivos.
O único ponto bom que vale a pena ser citado nesse quesito é a dublagem dos personagens.

Erros e bugs
Obviamente presentes pela correria que foi a produção do jogo, mas o mesmo ainda está na versão 1.0, esperemos para que os produtores corrijam com patches.

Conclusão
É um bom jogo, apesar de suas (não poucas) falhas, mas não chega a se comparar ao aclamado Dragon Age: Origins; enquanto este teve de 5 a 7 anos de tempo de produção, o que possibilitou a criação de um rico, detalhado e sombrio mundo de fantasia, a dona da produtora do jogo deu um prazo curto, de 1 a 2 anos, para se aproveitar do sucesso do primeiro ao invés de tentar recriá-lo.
Ao invés de repetirem a fórmula do sucesso, resolveram mudar o sistema drasticamente; agora só nos resta esperar que os produtores percebam que, apesar de mudanças serem sempre necessárias no mercado dos jogos, o RPG clássico ainda tem seu valor.

Dragon Age: Origins - 9,5
Dragon Age II - 8,0